quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Ensaios de Amor - Alain Botton (II)
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Digitei e não enviei
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Enviar e cancelar alguns minutos depois [ ] Ainda não criaram isso!!!!
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Ensaios de Amor - Alain de Botton
Boa para ouvir enquanto lê: Need You Now
O texto exige um pouco de atenção, mas é muito interessante e real.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Encontro Marcado - II
No post anterior:
Almoço no aeroporto e dali ela foi embora, de táxi! Sabe, disse ela, demoramos um tempão no almoço, acabei indo embora e não marcamos nada mais tarde porque eu moro longe e ele estava hospedado em Copacabana é perigoso né gente, além do mais, já tínhamos marcado para o dia seguinte.
Meu sininho estava tocando várias vezes. Ela é burra, ingênua os dois ou se faz?
Mesmo tendo sido só isso (eu acho pouco) ela voltou toda felizinha, passou o resto da tarde e a noite contando e recontando a mesma ladainha para as amigas!
No dia seguinte, tratou de levantar cedo, deu graças a Deus pelo dia lindo que estava fazendo, se arrumou rápido e partiu pra encontrar com Gerson. Ficou combinado, no dia anterior, que fariam pelo menos um passeio turístico. E lá foi ela, com a cara e a coragem. E haja coragem de enfrentar essa pequena distância entre ZO e ZS, mas foi. Segundo ela, queria aproveitar muito esse dia, pois seria o último dele aqui e ela nem sabia se seria convidada para conhecer Florianópolis, enfim, tinha que aproveitar.
E aproveitaram, fizeram vários passeios, caminharam na praia, passearam até cansar, até que ele falou que precisava fazer o check-out no hotel, tomar banho e se preparar logo, pois o retorno seria as 18h e ele não queria fazer tudo em cima da hora. Foi então que ele a convidou para ir com ele ao hotel. Ela muito inocente (com muitas juras enquanto contava o causo) aceitou o convite. Ficou babando no hotel, disse que era extremamente chique, pena que não disse o nome, pois eu iria tratar de colocar fotos aqui. O fato é, enquanto ela ia toda boba pagando de namoradinha, de mãos dadas passeando no hotel, ele tinha certeza de que acertou em cheio no convite!
Entram no quarto (que ela só fazia olhar para todos os lados) e ele deu uma ciscada nas coisas meio que arrumando e tal, até que…taran ele deixou tudo pra lá e resolveu que seria melhor fazer algo mais interessante né gente! Foi catando a Elisa já rumo a cama e ai, SÓ ENTÃO a ficha da bendita caiu! Mas aí querida ela mandou na lata: AE GERSON, NÃO VAI ACONTECER NADA NÃO. Mas por que Elisa? Estamos aqui, eu, você… Gerson, eu sou virgem (juro que nessa hora eu não ouvi, só matei a dúvida depois de um tempo quando ouvi o resto da história, mas tive que olhar pra cara dela, disfarçadamente é claro). Pena que vocês não podem ver como isso está escrito no meu caderno, está mais ou menos assim:
---->>>> ELA É VIRGEM. DEVE TER + DE 30 ANOS.NÃO, MAIS DE 35 COM CERTEZA…CARACA. O CARA DEVE TER FICADO CHOCADO E EU TO PASSANDO MAL DE TANTO RIR, POR DENTRO <<<-----
Rolou um choque e ele só disse: acho que encontrei uma agulha no palheiro. Sendo assim, vou tomar banho, você se incomoda de esperar? Ela disse que não e ficou lá esperando o bonito se arrumar, ainda ajudou a escolher a roupa (coisa tosca) e depois foram para o aeroporto almoçar (cara estranho só quer comer no aeroporto- eu pensando).
--------->>> QUE DROGA, TÁ UMA BARULHEIRA NESSE MC. É MÃE GRITANDO, CRIANÇA CHORANDO, GENTE FALANDO..GENTE CALA A BOCA, EU PRECISO OUVIR O RESTO DA HISTÓRIA <<<----------
Apesar do ruído, ela estava contando sobre o almoço e claro sobre a curiosidade dele sobre a escolha de castidade que ela fez. Bem, ela explicou que não foi escolha de castidade, mas que nunca teve uma namorado de verdade e que por isso não se sentia na obrigada de fazer nada! E que ela não queria nada casual, não queria arrependimento e bla, bla, bla. Ainda contou que nenhum dos dois ficaram constrangidos por conta disso. Então tá né. E que ele a chamou de inocente por ter ido até o quarto sem levar para este lado.
Almoçaram, deu a hora dele. Ele foi embora e ela ficou na pista, literalmente. Porque ter que voltar pra Campo Grande é dose! Sozinha então, aff. Algumas maluquices nem Freud explica. N
o final das contas, como já era de se esperar, ela ficou decepcionada por causa das intenções dele e até chorou (isso porque não aconteceu nada, vocês imaginem só em).
---------------->>>POR QUE ELA TEM QUE FALAR TÃO BAIXO AGORA? O PIOR DA HISTÓRIA JÁ PASSOU<<<-----------------------
Ela estava empolgada com a história e gostando dele (normal né? Um mês de papo no MSN é como 1 ano de convívio pessoalmente, absurdo isso) queria que tudo desse certo (basta saber o que era dar certo pra ela, certamente seria: mudar de Cidade, morar em Floripa com Gerson!), mas o fato do julgamento errado que ele fez dela a decepcionou. Para piorar tudo ela queria namorar, ele não! Só pra variar! Se bem que ela não disse se falou sobre isso com ele, também, primeiro encontro meio as escuras, seria papo brabeira…mas também ele já foi para o fight isso também é brabeira.
------------>>> SE ELA IMAGINA QUE ESTOU OUVINDO E ESCREVENDO TUDO…RAGA MEU CADERINHO…OPS, FECHANDO JÁ! <<<-----------------
Continua (…)
Encontro Marcado - I
Hoje eu tinha uma missão: fazer cotação de preços de instrumentos musicais, acessórios, comprar alguns matérias, enfim, precisava bater uma boa perna no Centro Comercial. Fui até empolgada, afinal já era hora de comprar essas coisas. Até que não foi demorado, em menos de uma hora cumpri meus objetivos e, tomada por uma louca vontade, entrei no Mc besteira. Tudo bem, depois de detonar uma caixa de bis (-6) e uma barra de laka, não era o melhor a fazer, mas isso tudo é culpa da TPM.
Como sempre, peguei o caixa mais lerdo da loja do Mc, a atendente era uma songa, meu sanduiche demorou minutos para sair, que saco! Tudo bem, logo, logo, estaria me entupindo de sódio e gordura saturada e ficaria calma.
Peguei meu lanchinho saudável, e subi, o salão aqui de Campo Grande é novinho e muito bonito, aconchegante, tem sempre um som legal. Escolhi tanto para sentar e acabei sentando de frente para um casal que estava me dando alergia! Tudo bem, me concentrei na bomba calórica e meti bronca. Aproveitei para conferir a folha da bandeja, analisar minhas compras, mexer no celular de maneira avulsa, ler umas mensagens velhas, conferir de novo os créditos gastos, restantes, bônus e tudo que for possível, sabe, essas coisas que se faz quando não tem com quem conversar?
Estava lá distraída, e três jovens senhoras sentaram na mesa ao lado, tudo normal. Continuei com as anotações que estava fazendo, calculando os gastos do dia, até uma delas (nomeada de Elisa) começou a contar um caso amoroso aos cochichos! Foi instantâneo, comecei a prestar atenção, virei a página e tomei nota do caso.![]()
Elisa começou a contar, super empolgada, do gatão que conheceu na internet. Estava levando uma vida muito pacata, só no trajeto casa x trabalho. Final de semana nada pra fazer, só em casa curtindo (como se isso fosse possível) o momento dona de casa. Sua vida era bastante diferente das mulheres da sua idade, principalmente considerando que ela morava sozinha! Estava numa rotina tão down que seu último aniversário, de 36 anos, se recusou a comemorar. Só não pode negar o convite de almoço dos seus pais. Não preciso nem dizer o que contou sobre o coração né?! Nada para esquentar o coração, nenhuma aventura amorosa, nenhum caso, casinho ou casão, nada! Então resolveu fazer um cadastro no “”par perfeito”.
Nos primeiros dias de cadastro e caça ao tesouro, começou a conversar com um carinha de Floripa, Gerson. Ficou bem empolgada já que ele, além de regular idade com ela, tinha 38 anos, era solteiro e tinha um emprego legal (quanto ao emprego ela fez questão de constatar o fato por telefone, não sei como, mas fez). A partir daí, vocês já sabem né? São longas horas de papos pela praga do msn, telefone, e-mail, torpedos e os dias correm. Estava bastante empolgada, como um cara poderia se importar tanto assim, eles nem se conheciam direito. Surtou de alegria ao saber que ele viria para o Rio a trabalho e o melhor: sugeriu um encontro!
Pronto. O circo estava armado. Ainda faltavam duas semanas para o príncipe chegar a Cidade e Elisa já estava retocando a raiz dos cabelos, marcando depilação, pés e mãos para um dia antes da chegada. Contou para todas as amigas do tal encontro, e claro sempre com um certo exagero no motivo da viagem de Gerson ao Rio. Ainda tinha omissões, claro, para uns amigos conta tudo por que vai achar graça, para outros conta só o que interessa, ou então terá puxão de orelhas. Inclusive, as duas à mesa não sabiam a histórias concreta e ela fez questão de enfatizar: – Agora eu vou contar tudo, nos detalhes. Que vontade de rir neste momento, mas me segurei.
Elisa teve uma ótima idéia, ou pelo menos é o que toda mulher faz quando vai conhecer um estranho, avisa para meia dúzia de amigas e marca uma hora para ligar contando se está tudo bem, e deixa umas três de sobreaviso “caso eu não ligue, você me liga”. Ela fez o mesmo e foi além, pediu a MÃE de uma amiga para levá-la ao encontro.
No dia e hora marcados (um sábado – olha o sininho batendo na minha cabeça: viagem a trabalho x sábado?) ela foi para o aeroporto esperar o príncipe, que não veio a cavalo, mas de avião mesmo. A amiga e a mãe, deixaram-na no ponto de encontro, mais trocentas recomendações e foram embora. Elisa ficou lá, piriquitante a espera do bonito!
Bem, o vôo estava marcado para chegar as 10h da manhã e já passava das 11h30 e nada de Gerson! Até que ela resolveu ligar e ele atendeu calmo, sereno e tranquilo dizendo que chegou mais cedo que o previsto (??!!!) e já estava no hotel, pediu que ela esperasse um pouco, pois ele foi só deixar as coisas no hotel e já voltaria para encontrá-la. E assim foi, cerca de 40minutos depois ele chegou! Ficou aquele clima meio estranho nos cinco primeiros minutos, mas como ela disse, ele era tão simpático e comunicativo que isso logo passou. Foram almoçar no aeroporto mesmo (???!!!). Cerca de meia hora depois de estabelecida e com a confiança conquistada e adquirida, foi ao banheiro rapidinho e disparou torpedo para todos avisando que não estava numa banheira com gelos e não tinha ninguém querendo tirar seus rins, ou seja, mulherada estou bem! E foi só isso! Almoço no aeroporto e dali ela foi embora, de táxi! Sabe, disse ela, demoramos um tempão no almoço, acabei indo embora e não marcamos nada mais tarde porque eu moro longe e ele estava hospedado em Copacabana é perigoso né gente, além do mais, já tínhamos marcado para o dia seguinte.
Continua (…)
sábado, 19 de junho de 2010
TUDO ACONTECE NUMA VIAGEM DE ÔNIBUS II
Para ouvir enquanto lê – Acaso – Pedro Mariano
Naquele dia havia trabalhado muito! Estava realmente cansada. Cheguei a fila do meu querido ônibus, no Centro da Cidade, doida para entrar, sentar e dormir!
Fiquei completamente em off até a fila começar a andar, não sei ao certo quanto tempo perdi naquela fila! O meu estado de espírito naquela noite não me permitiu prestar atenção nisso! Pois bem! A bendita da fila andou e eu tomei meu rumo à carroça com ar condicionado! Aliás, nem era tão carroça assim, veio o carro mais caro, estilo ônibus de viagem.
Não sabia o que aquela viagem reservaria para mim! Sentei no meu lugar preferido no meio do carro e na janela! Coloquei o óculos escuro, apesar de não ter sol, vesti a blusinha de manga, reclinei o banco e me ajeitei como quem deita numa cama confortável e me preparei para dormir muito! Neste momento cai na besteira de olhar para a roleta e vi um “coisa” passando pela roleta! Sim, uma coisa, porque aquilo não tinha nome! Ele era tão lindo! Assim, tão a cara do sonho! Um sonho que tive há tempos atrás, qualquer dia desses eu conto! Era tão…sei lá o que mais que me perdi! Tratei de tirar o insulfilme dos olhos e prestar atenção! Olhando e pensando “senta aqui, senta aqui”! Acho que descobri como funciona a força do pensamento!
Ele veio bem gracioso caminhando, caminhando e ops, sentou na fileira ao lado! Droga! Pensei de imediato! Serei obrigada a olhar par ao lado! Ao mesmo tempo lembrei do sono que estava sentindo e da vontade absurda de dormir!
Ah fala sério! Não poderia deixar passar. Lembrei de ter sido zoada há pouco tempo com uma frase um tanto ridícula: “e aí está chutando bunda de gato para ser arranhada”? Já que ganhei esta fama, então agora eu iria deitar na cama mesmo! Só não tinha dado conta de que fiquei olhando fixamente para o “sonho” enquanto pensava nisso tudo! Foi quando dei uma piscadela e foquei na “face” dele! E ele estava encarando! Provavelmente me achou uma retardada! Virei rapidinho e tratei de colocar o insulfilme no lugar!
Aproveitei que a carroça se mexeu e parei para olhar a rua por longos 60 segundos! Mas a vontade de olhar novamente para ele me tomou! Então olhei de novo, e novamente ele estava olhando. Fiquei meio agoniada. Normalmente eu olho sozinha poxa! Estava quase pedindo para ele olhar em outra direção! O ônibus não encheu muito ou quase nada! Ninguém sentou ao meu lado! Muito menos ao lado do “sonho”. E os olhares estavam ficando muito frenéticos! Eu louca para rir, como sempre! É que nessas horas eu penso cada coisa engraçada.
Acho que enquanto uma pessoa romântica pensa em como tudo poderia acontecer como num filme eu penso em tudo que poderia acontecer de errado ou cômico! Como por exemplo: ele atender o telefone e eu perceber que ele é fanho! Ser fanho não é o fim do mundo, mas é o começo de uma crise horrorosa de riso! E nisso eu tenho vontade de cair no riso!
Mais uma vez eu fiquei perdida em meus pensamentos e olhando fixamente para o “sonho”. E quando me dei conta ele estava sorrindo, não sei se de mim ou para mim! Ou quem sabe estivesse com um fone bluetooth do lado direito, onde eu não conseguia ver, ou lembrou de uma piada, quem sabe eu era parecida com a tia bruxa dele! Ai droga, mais uma vez me perdi nos pensamentos e ele estava sorrindo novamente! Droga! Virei rapidinho para a janela! E claro fiz a tática do “paquerar pelo vidro” que já contei aqui. Mas não deu muito certo, estava muito escuro e o vidro era escuro!
Tudo isso somado começou a me dar uma vontade incontrolável de rir! Então, a fim de tentar parar com a macaquice, saquei o celular e mandei uma mensagem a uma amiga contando o causo, tão explicado quanto um SMS permite! Como essa tarefa foi realizada em poucos minutos, e eu não tinha parado de rir, comecei a mexer no celular para me distrair, tudo bem que a cada 30segundos eu olhava para o rostinho do “meu sonho” e ops, lá estava ele me olhando!
Voltei toda minha atenção (5% dela) para o celular novamente, até que acessei a função bluetooth! E aí acendeu um holofotes na minha cabeça! É claro, vou rastrear o cara pelo bluetooth, que óbvio! Como não pensei nisso antes?! Então comecei a buscar os sinais de bluetooth ao meu redor! E fiquei um tanto surpresa com os nomes que apareciam: manhoso, florzinha, joaosc, jrttp, pequen., mmre, pedrott, vicpf…
Assim ficou até fácil saber quem era o carinha né?! E analisando os nomes da lista comecei a entrar em outra crise de riso, já pensou ele é o “manhoso”? Socorro! Resolvi deixar o celular pra lá, só pegava para contar as novidades por SMS para minha amiga, ou seja, quase nada! Nessa hora sentou-se ao meu lado uma senhora muito da grande, ou melhor dizendo muito da gorda! Quase cobriu a minha visão geral do “sonho”. Respirei fundo, inclinei um pouquinho o corpo para frente a fim de ver melhor.
E passei toda a viagem assim, tive a impressão de que voamos por sobre os carros, pois não vi engarrafamento, acho até que não vi nada. E em uma dessas olhadas percebi que ele abriu um sorriso largo, não me fiz de rogada e retribui o sorriso! E nisso ele fez um gesto que não entendi direito, parecia o sinal de quem diz “depois”…só não entendi o que era ao certo, mas sorri. Logo nas primeiras paradas a bendita “magrela” ao meu lado desceu e ao mesmo tempo ele levantou, cheguei a resmungar por dentro o fato dele descer tão cedo! Mas, para minha surpresa, ele veio e sentou ao meu lado. Fiquei muito descontrolada! Não sabia o que fazer, comecei a respirar rápido e ele logo soltou um “oi” com o sorriso mais lindo que eu já vi! Não hesitei, sorri e o cumprimentei de volta! E ele logo emendou “o que está acontecendo?”. Respondi de pronto “me diz você”. Acho que estávamos flertando, disse ele sem a menor cerimônia! Fala sério, ninguém usa o termo flertar, pensei. Talvez. Na verdade fiquei impressionada com você. Sou tão bonito assim? Na verdade é, mas não foi por isso, e sim pelo sonho que tive outro dia e foi com você, mas nunca te vi! Uau, como assim? Foi um sonho qualquer, não lembro ao certo, menti para não entrar em detalhes e me enrolar toda. Aonde você mora, disse ele. Próximo as Sendas. Que consciência, eu também! Só falta você dizer que estudou no…ALICE DE SOUZA DUTRA, falamos ao mesmo tempo e caímos na gargalhada. Quantos anos? 24. 27. Solteira? Sim, por pura falta de opção! E você? Sim.
E assim o papo correu livre, leve e solto, totalmente despropositado até que chegou o meu ponto, que, infelizmente, era antes do dele! Bem, eu já vou descer! Que pena, sussurrou. É, realmente! Foi um prazer! Igualmente, salvou minha viagem, falei sem notar o quanto saiu “derretidinha” essa frase. Ele sorriu largo! Ah propósito, ele disse, meu nome é Vitor. Ah. E o meu é Bruna. Virei e me apressei, já que este tipo de ônibus não tem cigarra! Desci meio tonta, meio bêbada de alegria e quando o buzão arrancou me deu um estalo enorme: QUE MERDA EU NEM PEGUEI O TELEFONE DELE! Passei 30 minutos discursando sobre o que gosto de fazer, dia a dia e não peguei o telefone! Mas que droga!!! Ao mesmo tempo lembrei do “vicpf”. Mas é claro!!! Deve ser Victor e o sobre nome, ou as siglas da namorada que ele ocultou, ou nome da mãe…ou da ex…ai droga! Para com isso sua maluca! Falei alto! E segui para casa, feliz por ter matado minha curiosidade e aborrecida por ter sido incompetente na arte de fazer e manter contatos.
Depois disso, passei a chegar todos os dias no mesmo horário ao terminal e a baixar a lista de bluetooths disponíveis naquela área a fim de encontrar não sei quem. Até que a esperança se foi!
Por que nos conhecemos? Por que o acaso o quis? Foi porque através da distância, sem dúvida, como dois rios que correm a unir-se, nossas inclinações particulares nos impeliram um para o outro. Gustave Flaubert
Bruna Turques
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Ainda Não Acabou - II
Estive pensando sobre gostar e o que é isso. E cheguei a conclusão que gostar é muito mais! Sei que neste momento você está pensando "isso não é novidade". Claro que não é! Explicarei:
Gostar é ajudar, dar apoio, colocar pra cima, incentivar, vibrar com as vitórias por menor que seja. Gostar é ter afeição, amizade, estimar-se mutuamente, tudo isso segundo o Dr. Aurélio! E eu sempre disse pra ele, gosto de você como amigo! Só que nunca tive amizade, essa que é a verdade! Nunca dei bola para as conquistas que ele contava com tanto gosto, nem ao menos incentivei seus sonhos, sempre julguei tolos! Aliás, sempre o julguei o maior dos tolos! E tenho visto claramente que a tola dessa história fui e sou eu!
Ele está seguindo tão bem, se dando bem, realizando os sonhos que eu disse "impossível". É ele está alcançando!
Essa mente retardada ainda me leva a pensar "Poxa, acho que agora tudo ficou mais interessante". Como eu consigo? Como? Em seguida eu caio na real e lembro que agora os sonhos estão sendo realizados e compartilhados com outra que gosta!
Gostar e aceitar que gosta é uma dádiva!
Até que ponto o nível social, a colocação profissional, estilo de se vestir, musical e sei lá mais o que será o determinante nesta decisão?
Enquanto isso o tempo vai passando, as pessoas evoluem e eu continuo no mesmo lugar...
domingo, 6 de junho de 2010
Vai sonhando bobinha
Eu juro que estava na minha!
Dia desses resolvi dar um rolé no shopping. Sabe aqueles dias que você quer andar sem rumo? Tudo bem eu sabia o rumo, queria entrar em cada loja interessante a minha frente e sair comprando tudo, mas não dava! Então, concentrei e fui apenas olhar e deixar a mente um pouco vazia! Ok. Na verdade ela fica bem cheia de ideias quando saio sozinha para olhar vitrines... a imaginação vai longe!
Estava tudo bem, andando, pensando, sonhando... Tudo ando, até que vi de longe um cachorro vindo em minha direção! Fiquei completamente sem ação ao perceber que o deixaram entrar no shopping! Enorme! A raça? A pior... Era do tipo HOMEM! E o “mais-pior-de-ruim”, ex-peguete!!! Ah e toda essa raiva é só porque ele não me liga, não me procura, tomou chá de "joão sem braço" misturado com "sumiço eterno". Provavelmente passou esse tempo se agarrando com uma mocréia qualquer por aí!
Concentrei e comecei a repetir mentalmente abstrai, abstrai, abstrai....ah não, ele me viu!! Abstrai, abstrai..calma, nada de taquicardia, respira, respira, cachorrinho, respira! Ele sorriu para mim! Droga. Serei obrigada a sorrir pra ele! Droga, sorri feliz demais. Pronto, agora ele acha que estou muito feliz em vê-lo! Oi!!!!!! Me vi pronunciando toda alegrinha! Droga (mentalmente).
Como vai?! Disparou sem cerimônias! Muito bem. Respondi prontamente! Bom te ver, ele disse! É. Eu disse. “É” não é resposta e emendei logo, muito bom te ver também! Não melhorei as coisas. Ah...hum...sumido você, não? Ele, um pouco, sabe como é a correria né?! Que correria? Atrás das suas cadelinhas rá rá! Ri alto! Ele muito indiferente: não, falo de coisas realmente importantes.Hum.Minha cara no chão!
Mas então o que tem feito de bom Dona Bruna! Cara, que ódio mortal quando alguém, ou seja, ele, coloca esse Dona na frente do meu nome!
Muitas coisas! E você? Respondi com cara de quem chupou cajá verde. Também, muitas coisas, respondeu de pronto! E eu já tinha feito o relatório mental de tudo o que ele andava fazendo: vadiando, vadiando, ah sim, vadiando e trabalhando vez ou outra! E mandei na lata: muitas coisas é tão vago! Ele, ao contrário do que você pensa, não tenho tido muito tempo para vadiagem (pegou pesado acho que leu minha mente), a senhorita sabia que eu tenho objetivos maiores na vida, além de “pegar mulher”! Ah e não fica com raiva do termo, foi você quem o deu para mim!
É, o ridículo além de ler minha mente ainda se deu ao trabalho de fazer sinalzinho de aspas para falar pegar mulher, como se não fosse do seu vocabulário cotidiano! Que raiva! Estava tão chocada com a superioridade dele que comecei a ter um ataque de pelancas! Minha vontade era sair correndo, mas queria muito mostrar o meu ar de superioridade, que naquele momento estava bastante medíocre.
Bom pra você não é querido?! E ele: sim, muito bom! E as novidades?!
Afinal de contas, o que ele pretendia com essa pergunta ridícula. Ele sabe perfeitamente que desde a última vez que nos vimos, e isso faz muito tempo, não tenho novidades, se assim não fosse já estaria nos meus perfis sociais, bem explanado, com letras garrafais, negritos e fonte 50. Tudo bem. Respirei fundo e disse apenas que não tinha nenhuma novidade digna de contar numa conversa de 5minutos com alguém que não via há tanto tempo! E ele respondeu: Resumo da ópera, nada aconteceu desde a última vez que nos vimos!
Nossa! A raiva cresceu em colega! Vou te dizer, a vontade mesmo era de dar um soco na cara dele, uma voadora e mais uma banda, pra ele cair de bunda no chão! Tipo fatality do Mortal Kombat , aquele golpe que acaba logo com o adversário!
Respondi apenas que ele poderia interpretar como quisesse! Mas então entrei de sola, já estava com raiva mesmo, ele conseguiu acabar comigo em 5minutinhos na graminha*. Então mandei: E aí, está namorando? Já se acertou com alguém? Acabou com os “mas” da sua vida?
Pausa para o adendo - momento dramático: Sabe quando você fala alguma coisa e no segundo seguinte deseja de toda sua alma ter um CTRL Z para desfazer aquela frase?! Então, assim que conclui minha pergunta eu tinha plena convicção de que não deveria ter "apertado o send" mentalmente, ou seja, falar! Tinha que ter lido a expressão corporal daquele ser e entendido que o chumbo seria grosso! Ok. Agüenta que lá vem! E veio palestra!
Na verdade, senhorita, (grunhi de raiva quando ouvi o ar debochado com que ele fez questão de pronunciar essa palavra) estou solteiro e isso há muito tempo. Quando temos objetivos e metas para alcançar é preciso deixar de lado as coisas que nos atrapalham a caminhar e seguir em frente, sabe, como um barco que está muito pesado, é preciso jogar os excessos ao mar, ou então irá a pique! Como queria melhorar minha vida profissional, deixei tudo que me dava trabalho e era pesado para trás. E segui! E claro, alcancei meus objetivos!
Pensa numa pessoa chocada ao ouvir esta palestra... rá rá rá, essa era eu! Aquele inescrupuloso me arrasou em uma resposta! Me chamou de atraso de vida, peso, excesso...caramba! Eu juro que hoje eu só queria paz. Mas ,por que cargas d’água eu fui encontrar esse cachorro?
Sorri delicadamente e o parabenizei e me apressei em me despedir, inventei uma desculpa qualquer para sair correndo dali! Mas fui surpreendida pela despedida dele.
Bruninha (quanto deboche), você nunca foi um “mas” na minha vida...só alguém difícil demais para mim, naquele momento! E como dizem por aí, quando o momento é já e nós o deixamos passar, não há jeito para reverter! Infelizmente a vida é feita de escolhas. Espero que saiba fazer as suas!
Valeu em colega! Obrigada pela lição, moral, tapas na cara, rasteiras, fatalitys. Realmente, muito obrigada!
Eu apenas sorri completamente sem força, graça, simpatia ou qualquer ar de quem tem vida! Virei e sai rapidinho da frente dele! Era impossível admitir que aquele cachorro-bozo-mor estivesse me dando alguma lição!
O pior é que ele não estava errado! Enquanto eu perdi tempo me martirizando com o fato dele não me procurar e ter inventado mil namoradas e coisas que ele possivelmente estaria fazendo sem mim. Ele estava correndo atrás das metas traçadas, sempre no foco! Ele não deixou de ser bozo por isso! Ele ainda o é, mas é claro que prefere picadeiros mais fáceis. Ele não passou a ser santo, só não se da ao trabalho! Não perde o foco! Primeiro os objetivos, depois a diversão!
Enquanto eu fiquei por aqui choramingando, ele estava fazendo o que eu deveria ter feito a muito tempo: pegar a trilha que dará direto no caminho para o sucesso!
Não adianta chorar e nem se lamentar! Vida que segue, não é o que dizem? Mas pra mim, o teto do shopping caiu naquela hora! Voltei pra casa como quem volta da guerra! Só queria edredom e cama! Dormir e acordar com a certeza de que tudo não passou de pesadelo.
Bruna Turques
* 5 minutinhos na graminha = termo utilizado por uma conhecida que é o mesmo que "te pegar lá fora", "5 minutinhos na mão"...ah vai! Vocês sabem o que é isso! Estilo briga de colégio!
quarta-feira, 26 de maio de 2010
O Grande e o Pequeno - Adriana Falcão
Todo Caso de Amor tem sempre um grande e um pequeno
Não é uma questão de gênero. Existem homens pequenos e homens grande, mulheres grandes e mulheres pequenas. O temperamento as circunstâncias influem, mas não determinam. O grande pode ser o mais bem-sucedido dos dois ou não. O pequeno pode ser o mais sensível, porém nem sempre é assim. Muitas vezes, o grande é o mais esperto, mas existem pequenos espertíssimos. Depende do caso.
Como ninguém descobriu até hoje uma regra que permitia determinar qual é o grande e o qual é o pequeno, só observando o casal mais atentamente.
Na rua, o que anda distraído quase sempre é o grande. Quase sempre no cinema, o grande só decide comprar pipoca depois que os dois já estão acomodados nas poltronas. O pequeno então fica esperando, vigiando, tomando conta para o filme não começar antes de o grande voltar, o que, por algum motivo, seria uma tragédia.
Numa festa, o pequeno deve estar ansioso para que a noite seja boa, principalmente se foi ele quem sugeriu o programa. O grande se comportará de maneira indiferente até se deixar embriagar pela música, pela bebida ou pelo ambiente, quando então ficará muito mais animado que o pequeno. Mesmo que o pequeno dance bem, o grande sempre dançara melhor. O pequeno evita o silêncio porque tem certeza de que a culpa é dele, por isso sempre tem arquivados na cabeça assuntos que possam ser úteis em todas as ocasiões. A calça nova do pequeno dificilmente lhe cai tão bem quanto a do grande, assim como o cabelo do grande está sempre melhor que o do pequeno, ainda que a festa inteira pense exatamente o contrário. O pequeno geralmente se comove com a lua, calado enquanto o grande aponta: olha só a lua. No final da festa, é sempre o pequeno que quer ir embora, reservando o melhor de sua alegria para o resto da noite, enquanto o grande se despede dos amigos displicentemente. Mais tarde, o pequeno é macho, é gueixa, é desgraçado, é exclusivo, e, se o coração do grande por acaso ouvir seus gritos, sorte. No dia seguinte o pequeno estará inevitavelmente preocupado: será que fiz tudo certo? Acho que eu não deveria ter dito aquilo. Por que toda vez sou eu que beijo primeiro? Na dúvida, vai correndo procurar o grande, apesar de ter se prometido que nunca mais faria isso.
O grande e o pequeno podem ser de qualquer espécie, inclusive bichos, com exceção dos gatos, que são todos grandes.
Não necessariamente formam um casal. Não é só nas histórias de amor que existem grandes e pequenos. Havendo mais de um, um par qualquer, dois adversários, dois irmãos, dois amigos, sempre haverá o que quer mais e o que quer menos, o fascinante e o fascinado, o generoso e o pedinte.
Mas, como tudo pode acontecer, senão nada disso ia ter graça, a qualquer momento, por alguma razão, geralmente à noite, imprevisivelmente, o grande pode ser ficar pequeno e o pequeno ficar grande de repente. Basta um vacilo, um acaso, um cair de tarde, um olhar mais assim, um furacão, uma inspiração, uma impudência.
Quando isso acontece é comum o pequeno ficar maior ainda, o que torna automaticamente o grande ainda menor. O ex-pequeno, logo que é promovido a grande, pode se vingar do ex-grande, se seu sofrimento tiver boa memória. Aí, coitado do novo pequeno, vai se arrepender de cada não beijo, cada não telefonema, cada não noite de insônia, cada não desespero, cada não entusiasmo, cada não carinho inesperado, indispensável, inevitável, imprescindível, cada não todas as palavras apaixonadas em qualquer língua do mundo. Ele vai se surpreender com a reviravolta no começo, mas vai se conformar com sua nova condição de pequeno em seguida. E então vai seguir, cuidadoso e desastrado, na quase inútil intenção de conquistar o grande urgentemente.