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sábado, 19 de junho de 2010

TUDO ACONTECE NUMA VIAGEM DE ÔNIBUS II

Para ouvir enquanto lê – Acaso – Pedro Mariano

Naquele dia havia trabalhado muito! Estava realmente cansada. Cheguei a fila do meu querido ônibus, no Centro da Cidade, doida para entrar, sentar e dormir!

Fiquei completamente em off até a fila começar a andar, não sei ao certo quanto tempo perdi naquela fila! O meu estado de espírito naquela noite não me permitiu prestar atenção nisso! Pois bem! A bendita da fila andou e eu tomei meu rumo à carroça com ar condicionado! Aliás, nem era tão carroça assim, veio o carro mais caro, estilo ônibus de viagem.

Não sabia o que aquela viagem reservaria para mim! Sentei no meu lugar preferido no meio do carro e na janela! Coloquei o óculos escuro, apesar de não ter sol, vesti a blusinha de manga, reclinei o banco e me ajeitei como quem deita numa cama confortável e me preparei para dormir muito! Neste momento cai na besteira de olhar para a roleta e vi um “coisa” passando pela roleta! Sim, uma coisa, porque aquilo não tinha nome! Ele era tão lindo! Assim, tão a cara do sonho! Um sonho que tive há tempos atrás, qualquer dia desses eu conto! Era tão…sei lá o que mais que me perdi! Tratei de tirar o insulfilme dos olhos e prestar atenção! Olhando e pensando “senta aqui, senta aqui”! Acho que descobri como funciona a força do pensamento!

Ele veio bem gracioso caminhando, caminhando e ops, sentou na fileira ao lado! Droga! Pensei de imediato! Serei obrigada a olhar par ao lado! Ao mesmo tempo lembrei do sono que estava sentindo e da vontade absurda de dormir!

Ah fala sério! Não poderia deixar passar. Lembrei de ter sido zoada há pouco tempo com uma frase um tanto ridícula: “e aí está chutando bunda de gato para ser arranhada”? Já que ganhei esta fama, então agora eu iria deitar na cama mesmo! Só não tinha dado conta de que fiquei olhando fixamente para o “sonho” enquanto pensava nisso tudo! Foi quando dei uma piscadela e foquei na “face” dele! E ele estava encarando! Provavelmente me achou uma retardada! Virei rapidinho e tratei de colocar o insulfilme no lugar!

Aproveitei que a carroça se mexeu e parei para olhar a rua por longos 60 segundos! Mas a vontade de olhar novamente para ele me tomou! Então olhei de novo, e novamente ele estava olhando. Fiquei meio agoniada. Normalmente eu olho sozinha poxa! Estava quase pedindo para ele olhar em outra direção! O ônibus não encheu muito ou quase nada! Ninguém sentou ao meu lado! Muito menos ao lado do “sonho”. E os olhares estavam ficando muito frenéticos! Eu louca para rir, como sempre! É que nessas horas eu penso cada coisa engraçada.

Acho que enquanto uma pessoa romântica pensa em como tudo poderia acontecer como num filme eu penso em tudo que poderia acontecer de errado ou cômico! Como por exemplo: ele atender o telefone e eu perceber que ele é fanho! Ser fanho não é o fim do mundo, mas é o começo de uma crise horrorosa de riso! E nisso eu tenho vontade de cair no riso!

Mais uma vez eu fiquei perdida em meus pensamentos e olhando fixamente para o “sonho”. E quando me dei conta ele estava sorrindo, não sei se de mim ou para mim! Ou quem sabe estivesse com um fone bluetooth do lado direito, onde eu não conseguia ver, ou lembrou de uma piada, quem sabe eu era parecida com a tia bruxa dele! Ai droga, mais uma vez me perdi nos pensamentos e ele estava sorrindo novamente! Droga! Virei rapidinho para a janela! E claro fiz a tática do “paquerar pelo vidro” que já contei aqui. Mas não deu muito certo, estava muito escuro e o vidro era escuro!

Tudo isso somado começou a me dar uma vontade incontrolável de rir! Então, a fim de tentar parar com a macaquice, saquei o celular e mandei uma mensagem a uma amiga contando o causo, tão explicado quanto um SMS permite! Como essa tarefa foi realizada em poucos minutos, e eu não tinha parado de rir, comecei a mexer no celular para me distrair, tudo bem que a cada 30segundos eu olhava para o rostinho do “meu sonho” e ops, lá estava ele me olhando!

Voltei toda minha atenção (5% dela) para o celular novamente, até que acessei a função bluetooth! E aí acendeu um holofotes na minha cabeça! É claro, vou rastrear o cara pelo bluetooth, que óbvio! Como não pensei nisso antes?! Então comecei a buscar os sinais de bluetooth ao meu redor! E fiquei um tanto surpresa com os nomes que apareciam: manhoso, florzinha, joaosc, jrttp, pequen., mmre, pedrott, vicpf…

Assim ficou até fácil saber quem era o carinha né?! E analisando os nomes da lista comecei a entrar em outra crise de riso, já pensou ele é o “manhoso”? Socorro! Resolvi deixar o celular pra lá, só pegava para contar as novidades por SMS para minha amiga, ou seja, quase nada! Nessa hora sentou-se ao meu lado uma senhora muito da grande, ou melhor dizendo muito da gorda! Quase cobriu a minha visão geral do “sonho”. Respirei fundo, inclinei um pouquinho o corpo para frente a fim de ver melhor.

E passei toda a viagem assim, tive a impressão de que voamos por sobre os carros, pois não vi engarrafamento, acho até que não vi nada. E em uma dessas olhadas percebi que ele abriu um sorriso largo, não me fiz de rogada e retribui o sorriso! E nisso ele fez um gesto que não entendi direito, parecia o sinal de quem diz “depois”…só não entendi o que era ao certo, mas sorri. Logo nas primeiras paradas a bendita “magrela” ao meu lado desceu e ao mesmo tempo ele levantou, cheguei a resmungar por dentro o fato dele descer tão cedo! Mas, para minha surpresa, ele veio e sentou ao meu lado. Fiquei muito descontrolada! Não sabia o que fazer, comecei a respirar rápido e ele logo soltou um “oi” com o sorriso mais lindo que eu já vi! Não hesitei, sorri e o cumprimentei de volta! E ele logo emendou “o que está acontecendo?”. Respondi de pronto “me diz você”. Acho que estávamos flertando, disse ele sem a menor cerimônia! Fala sério, ninguém usa o termo flertar, pensei. Talvez. Na verdade fiquei impressionada com você. Sou tão bonito assim? Na verdade é, mas não foi por isso, e sim pelo sonho que tive outro dia e foi com você, mas nunca te vi! Uau, como assim? Foi um sonho qualquer, não lembro ao certo, menti para não entrar em detalhes e me enrolar toda. Aonde você mora, disse ele. Próximo as Sendas. Que consciência, eu também! Só falta você dizer que estudou no…ALICE DE SOUZA DUTRA, falamos ao mesmo tempo e caímos na gargalhada. Quantos anos? 24. 27. Solteira? Sim, por pura falta de opção! E você? Sim.

E assim o papo correu livre, leve e solto, totalmente despropositado até que chegou o meu ponto, que, infelizmente, era antes do dele! Bem, eu já vou descer! Que pena, sussurrou. É, realmente! Foi um prazer! Igualmente, salvou minha viagem, falei sem notar o quanto saiu “derretidinha” essa frase. Ele sorriu largo! Ah propósito, ele disse, meu nome é Vitor. Ah. E o meu é Bruna. Virei e me apressei, já que este tipo de ônibus não tem cigarra! Desci meio tonta, meio bêbada de alegria e quando o buzão arrancou me deu um estalo enorme: QUE MERDA EU NEM PEGUEI O TELEFONE DELE! Passei 30 minutos discursando sobre o que gosto de fazer, dia a dia e não peguei o telefone! Mas que droga!!! Ao mesmo tempo lembrei do “vicpf”. Mas é claro!!! Deve ser Victor e o sobre nome, ou as siglas da namorada que ele ocultou, ou nome da mãe…ou da ex…ai droga! Para com isso sua maluca! Falei alto! E segui para casa, feliz por ter matado minha curiosidade e aborrecida por ter sido incompetente na arte de fazer e manter contatos.

Depois disso, passei a chegar todos os dias no mesmo horário ao terminal e a baixar a lista de bluetooths disponíveis naquela área a fim de encontrar não sei quem. Até que a esperança se foi!

Por que nos conhecemos? Por que o acaso o quis? Foi porque através da distância, sem dúvida, como dois rios que correm a unir-se, nossas inclinações particulares nos impeliram um para o outro. Gustave Flaubert

Bruna Turques

Baseado no Poema Acaso da Priscilla Mansur

domingo, 6 de junho de 2010

Vai sonhando bobinha




Eu juro que estava na minha!


Dia desses resolvi dar um rolé no shopping. Sabe aqueles dias que você quer andar sem rumo? Tudo bem eu sabia o rumo, queria entrar em cada loja interessante a minha frente e sair comprando tudo, mas não dava! Então, concentrei e fui apenas olhar e deixar a mente um pouco vazia! Ok. Na verdade ela fica bem cheia de ideias quando saio sozinha para olhar vitrines... a imaginação vai longe!


Estava tudo bem, andando, pensando, sonhando... Tudo ando, até que vi de longe um cachorro vindo em minha direção! Fiquei completamente sem ação ao perceber que o deixaram entrar no shopping! Enorme! A raça? A pior... Era do tipo HOMEM! E o “mais-pior-de-ruim”, ex-peguete!!! Ah e toda essa raiva é só porque ele não me liga, não me procura, tomou chá de "joão sem braço" misturado com "sumiço eterno". Provavelmente passou esse tempo se agarrando com uma mocréia qualquer por aí!


Concentrei e comecei a repetir mentalmente abstrai, abstrai, abstrai....ah não, ele me viu!! Abstrai, abstrai..calma, nada de taquicardia, respira, respira, cachorrinho, respira! Ele sorriu para mim! Droga. Serei obrigada a sorrir pra ele! Droga, sorri feliz demais. Pronto, agora ele acha que estou muito feliz em vê-lo! Oi!!!!!! Me vi pronunciando toda alegrinha! Droga (mentalmente).


Como vai?! Disparou sem cerimônias! Muito bem. Respondi prontamente! Bom te ver, ele disse! É. Eu disse. “É” não é resposta e emendei logo, muito bom te ver também! Não melhorei as coisas. Ah...hum...sumido você, não? Ele, um pouco, sabe como é a correria né?! Que correria? Atrás das suas cadelinhas rá rá! Ri alto! Ele muito indiferente: não, falo de coisas realmente importantes.Hum.Minha cara no chão!


Mas então o que tem feito de bom Dona Bruna! Cara, que ódio mortal quando alguém, ou seja, ele, coloca esse Dona na frente do meu nome!


Muitas coisas! E você? Respondi com cara de quem chupou cajá verde. Também, muitas coisas, respondeu de pronto! E eu já tinha feito o relatório mental de tudo o que ele andava fazendo: vadiando, vadiando, ah sim, vadiando e trabalhando vez ou outra! E mandei na lata: muitas coisas é tão vago! Ele, ao contrário do que você pensa, não tenho tido muito tempo para vadiagem (pegou pesado acho que leu minha mente), a senhorita sabia que eu tenho objetivos maiores na vida, além de “pegar mulher”! Ah e não fica com raiva do termo, foi você quem o deu para mim!


É, o ridículo além de ler minha mente ainda se deu ao trabalho de fazer sinalzinho de aspas para falar pegar mulher, como se não fosse do seu vocabulário cotidiano! Que raiva! Estava tão chocada com a superioridade dele que comecei a ter um ataque de pelancas! Minha vontade era sair correndo, mas queria muito mostrar o meu ar de superioridade, que naquele momento estava bastante medíocre.


Bom pra você não é querido?! E ele: sim, muito bom! E as novidades?!


Afinal de contas, o que ele pretendia com essa pergunta ridícula. Ele sabe perfeitamente que desde a última vez que nos vimos, e isso faz muito tempo, não tenho novidades, se assim não fosse já estaria nos meus perfis sociais, bem explanado, com letras garrafais, negritos e fonte 50. Tudo bem. Respirei fundo e disse apenas que não tinha nenhuma novidade digna de contar numa conversa de 5minutos com alguém que não via há tanto tempo! E ele respondeu: Resumo da ópera, nada aconteceu desde a última vez que nos vimos!


Nossa! A raiva cresceu em colega! Vou te dizer, a vontade mesmo era de dar um soco na cara dele, uma voadora e mais uma banda, pra ele cair de bunda no chão! Tipo fatality do Mortal Kombat , aquele golpe que acaba logo com o adversário!


Respondi apenas que ele poderia interpretar como quisesse! Mas então entrei de sola, já estava com raiva mesmo, ele conseguiu acabar comigo em 5minutinhos na graminha*. Então mandei: E aí, está namorando? Já se acertou com alguém? Acabou com os “mas” da sua vida?


Pausa para o adendo - momento dramático: Sabe quando você fala alguma coisa e no segundo seguinte deseja de toda sua alma ter um CTRL Z para desfazer aquela frase?! Então, assim que conclui minha pergunta eu tinha plena convicção de que não deveria ter "apertado o send" mentalmente, ou seja, falar! Tinha que ter lido a expressão corporal daquele ser e entendido que o chumbo seria grosso! Ok. Agüenta que lá vem! E veio palestra!


Na verdade, senhorita, (grunhi de raiva quando ouvi o ar debochado com que ele fez questão de pronunciar essa palavra) estou solteiro e isso há muito tempo. Quando temos objetivos e metas para alcançar é preciso deixar de lado as coisas que nos atrapalham a caminhar e seguir em frente, sabe, como um barco que está muito pesado, é preciso jogar os excessos ao mar, ou então irá a pique! Como queria melhorar minha vida profissional, deixei tudo que me dava trabalho e era pesado para trás. E segui! E claro, alcancei meus objetivos!


Pensa numa pessoa chocada ao ouvir esta palestra... rá rá rá, essa era eu! Aquele inescrupuloso me arrasou em uma resposta! Me chamou de atraso de vida, peso, excesso...caramba! Eu juro que hoje eu só queria paz. Mas ,por que cargas d’água eu fui encontrar esse cachorro?


Sorri delicadamente e o parabenizei e me apressei em me despedir, inventei uma desculpa qualquer para sair correndo dali! Mas fui surpreendida pela despedida dele.


Bruninha (quanto deboche), você nunca foi um “mas” na minha vida...só alguém difícil demais para mim, naquele momento! E como dizem por aí, quando o momento é já e nós o deixamos passar, não há jeito para reverter! Infelizmente a vida é feita de escolhas. Espero que saiba fazer as suas!


Valeu em colega! Obrigada pela lição, moral, tapas na cara, rasteiras, fatalitys. Realmente, muito obrigada!


Eu apenas sorri completamente sem força, graça, simpatia ou qualquer ar de quem tem vida! Virei e sai rapidinho da frente dele! Era impossível admitir que aquele cachorro-bozo-mor estivesse me dando alguma lição!


O pior é que ele não estava errado! Enquanto eu perdi tempo me martirizando com o fato dele não me procurar e ter inventado mil namoradas e coisas que ele possivelmente estaria fazendo sem mim. Ele estava correndo atrás das metas traçadas, sempre no foco! Ele não deixou de ser bozo por isso! Ele ainda o é, mas é claro que prefere picadeiros mais fáceis. Ele não passou a ser santo, só não se da ao trabalho! Não perde o foco! Primeiro os objetivos, depois a diversão!


Enquanto eu fiquei por aqui choramingando, ele estava fazendo o que eu deveria ter feito a muito tempo: pegar a trilha que dará direto no caminho para o sucesso!


Não adianta chorar e nem se lamentar! Vida que segue, não é o que dizem? Mas pra mim, o teto do shopping caiu naquela hora! Voltei pra casa como quem volta da guerra! Só queria edredom e cama! Dormir e acordar com a certeza de que tudo não passou de pesadelo.


Bruna Turques


* 5 minutinhos na graminha = termo utilizado por uma conhecida que é o mesmo que "te pegar lá fora", "5 minutinhos na mão"...ah vai! Vocês sabem o que é isso! Estilo briga de colégio!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Carta ao desapego

Olá, como vai?

Esta noite eu sonhei com você, e nem sei porque. Sabe que foi engraçado? Foi assim...

Eu e você viajamos com alguns amigos, hospedados num quarto que só cabiam 3, mas havia uns 7. A cama era meia boca, meio estranha e pequena, mas cabia nossa vontade nela! O lugar, eu não sei ao certo... nem era bonito, mas passeávamos.

Ah, no hotel tinha elevador, mas era tenebroso...e lavávamos roupas, e fazíamos comida...não lembrava em nada uma hospedagem, nem mesmo 1/2 estrela. Ainda sim sorriamos e estávamos curtindo muito!

No sonho dormíamos. Acordamos até felizes! Não sei porque, não te vi mais. Procurei, subi e desci naquele elevador louco, aliás, sempre que sonho que estou num elevador é assim, sobe devagar e deve muito rápido, tão rápido que eu chego a sair do chão!

Continuando...eu só sei que sonhei com você durante toda a noite e a história era sem fim, não cabe nesta carta. Eu sonhei que sonhava...e era um sonho dentro do outro...sonhava que viaja com você e alguns amigos, hospedados num quarto que só cabiam três, mas havia uns sete...

Dentro dele eu perguntava o que significava, alguém me explicou que não era possível traduzir o sonho...pois não era sonho, era real! Mas faria o bom grado de me explicar, e começou a dizer que:

Eu viajei com você, numa história que deveria ser de dois, mas se tornou de três, quatro ou até sete. Não tinha graça, nem era bonito! Só eu via beleza na vida que levávamos. Você era apenas coadjuvante na minha história. Ah, e descobri o motivo de não lembrar em nada um hotel, é claro...também não lembrava em nada um bom relacionamento como eu gostava de dizer por aí.

Sabe o elevador? Então, esse foi fácil de decifrar. Era meu coração aceitando suas verdades na subida, bem devagar, e caindo na realidade como se tivesse sido empurrado do 25º andar.

Então é isso! Só escrevi para você saber que apesar de tudo, continuo descendo ladeira abaixo, mas já apertei o botão de "socorro", logo, logo vai parar.

E sabe por que te escrevi?! Ah, bem...deixa pra lá.

Beijos e tchau.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Ainda não acabou I

O ser humano é egoísta por natureza. Podemos ver essa característica aflorada na infância, quando não queremos compartilhar um brinquedo.

Me lembro bem que aos 5 anos de idade estava brincando com minha prima, quando chegou uma vizinha à minha casa, ela tinha uma filha que adorava pegar meus brinquedos e, na maioria das vezes, não fazia bom uso deles.

Quando a vi chegando, corri para esconder meu bambolê multicolorido, já que a pirralha poderia aparecer a qualquer momento e agarrar meu brinquedo. Porém, não tive uma das melhores idéias, pois resolvi colocá-lo atrás de uma pedra de mármore que ficava no quintal junto a umas sucatas. Apoiei a pedra nas pernas e fui pressionando o bambolê atrás. Como já era de se esperar, o peso da pedra me derrubou, caí sentada e a pedra quebrou toda sobre minhas pernas.

Foi aquele chororô. Mas, como eu era muito chorona, não fui levada ao médio imediatamente, só após uma semana e o pé esquerdo completamente inchado. Tudo isso foi perto do meu aniversário de 6 anos e ganhei de presente uma perna engessada.

O egoísmo me deu isso de presente!

Tudo bem que eu poderia facilmente classificar minha atitude como sendo a de uma pessoa que tem cuidado com as suas coisas, mas eu não tinha só aquele bambolê, sem contar que nem ligava muito pra ele.

Hoje a coisa não é diferente, mudou apenas o contexto e o "objeto".

Estava lembrando de dois textos meus, Ridícula e Me Dá uma Chance, que falam um pouco sobre o assunto deste post.

Neste mundo de atualizações virtuais acabamos descobrindo cada coisa, não é mesmo? E acessando algumas atualizações descobri que o saldo de "corações que batem por mim" acabou de ganhar uma baixa.

Eu me senti mal. Em seguida a pessoa mais egoísta da face da terra! Afinal de contas foram dezenas de "não", várias palestras explicativas de como não daria certo, debochei quando recitou
"Nunca desvalorize ninguém...Guarde cada pessoa perto do seu coração, porque um dia você pode acordar e perceber que perdeu um diamante enquanto estava muito ocupado colecionando pedras”, ri alto do seu amor.

Como poderia tomá-lo minha propriedade? Ou escravo eterno do meu não-amor? Sabe o que é pior? Ela, a nova dona do seu coração alado, parece legal.

Descobri que além de egoísta eu era hipócrita, porque sempre falei "espero que seja feliz, que encontre alguém legal! Mentira!!! Porque você encontrou alguém legal e eu não achei graça nenhuma!

O zero a esquerda se achou e a boazona continua sozinha! E não há bem material que supra a falta desta realização! Todos sabem que não há!

Eu o vi esses dias e não me dei conta de que
o seu brilho não era por mim, mas pela sua felicidade e libertação.

A boa aqui continua a correr por labirintos muito estranhos, encontrando saídas com portar bem abertas e dizendo "não combina comigo", e fechá-las com sete chaves e esquecer o caminho de volta! É isso aí!!Viva o egoísmo e a hipocrisia!

Apesar de tudo isso e das outras oportunidades que tenho, não consigo me dar uma chance, apesar de saber que todos que hoje estão em um bom relacionamento, tiveram que abrir mão de algum preconceito ou molde existente.
Definitivamente não há formula perfeita, existem, sim, pessoas corajosas!

Bruna Turques
Música que tocou enquanto escrevia o post de hoje! Lulu Santos - Apenas mais uma de amor.
"Se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer (e eu vou sobreviver).
O que eu ganho, o que eu perco, ninguém precisa saber."





quarta-feira, 26 de maio de 2010

O Grande e o Pequeno - Adriana Falcão

Li este texto há alguns anos atrás, não lembro quanto tempo ao certo, mas fiquei encantada pela forma que apresentou o Grande e o Pequeno! Leiam com atenção. Foi escrito pela GRANDE Adriana Falcão!



Todo Caso de Amor tem sempre um grande e um pequeno

Alguém um dia falou, em francês, que em todo caso de amor "il y a toujorrs celui qui aime et celui qui se laisse aimer". É mais ou menos a mesma coisa. O pequeno ama, o grande se deixa amar. O grande fala, o pequeno ouve. O grande discorda, o pequeno concorda. O pequeno teme, o grande ameaça. O grande se atrasa, o pequeno se antecipa. O grande pede, ou nem precisa pedir, e o pequeno já está fazendo.

Não é uma questão de gênero. Existem homens pequenos e homens grande, mulheres grandes e mulheres pequenas. O temperamento as circunstâncias influem, mas não determinam. O grande pode ser o mais bem-sucedido dos dois ou não. O pequeno pode ser o mais sensível, porém nem sempre é assim. Muitas vezes, o grande é o mais esperto, mas existem pequenos espertíssimos. Depende do caso.

Como ninguém descobriu até hoje uma regra que permitia determinar qual é o grande e o qual é o pequeno, só observando o casal mais atentamente.

Na rua, o que anda distraído quase sempre é o grande. Quase sempre no cinema, o grande só decide comprar pipoca depois que os dois já estão acomodados nas poltronas. O pequeno então fica esperando, vigiando, tomando conta para o filme não começar antes de o grande voltar, o que, por algum motivo, seria uma tragédia.

Numa festa, o pequeno deve estar ansioso para que a noite seja boa, principalmente se foi ele quem sugeriu o programa. O grande se comportará de maneira indiferente até se deixar embriagar pela música, pela bebida ou pelo ambiente, quando então ficará muito mais animado que o pequeno. Mesmo que o pequeno dance bem, o grande sempre dançara melhor. O pequeno evita o silêncio porque tem certeza de que a culpa é dele, por isso sempre tem arquivados na cabeça assuntos que possam ser úteis em todas as ocasiões. A calça nova do pequeno dificilmente lhe cai tão bem quanto a do grande, assim como o cabelo do grande está sempre melhor que o do pequeno, ainda que a festa inteira pense exatamente o contrário. O pequeno geralmente se comove com a lua, calado enquanto o grande aponta: olha só a lua. No final da festa, é sempre o pequeno que quer ir embora, reservando o melhor de sua alegria para o resto da noite, enquanto o grande se despede dos amigos displicentemente. Mais tarde, o pequeno é macho, é gueixa, é desgraçado, é exclusivo, e, se o coração do grande por acaso ouvir seus gritos, sorte. No dia seguinte o pequeno estará inevitavelmente preocupado: será que fiz tudo certo? Acho que eu não deveria ter dito aquilo. Por que toda vez sou eu que beijo primeiro? Na dúvida, vai correndo procurar o grande, apesar de ter se prometido que nunca mais faria isso.

O grande e o pequeno podem ser de qualquer espécie, inclusive bichos, com exceção dos gatos, que são todos grandes.

Não necessariamente formam um casal. Não é só nas histórias de amor que existem grandes e pequenos. Havendo mais de um, um par qualquer, dois adversários, dois irmãos, dois amigos, sempre haverá o que quer mais e o que quer menos, o fascinante e o fascinado, o generoso e o pedinte.

Mas, como tudo pode acontecer, senão nada disso ia ter graça, a qualquer momento, por alguma razão, geralmente à noite, imprevisivelmente, o grande pode ser ficar pequeno e o pequeno ficar grande de repente. Basta um vacilo, um acaso, um cair de tarde, um olhar mais assim, um furacão, uma inspiração, uma impudência.

Quando isso acontece é comum o pequeno ficar maior ainda, o que torna automaticamente o grande ainda menor. O ex-pequeno, logo que é promovido a grande, pode se vingar do ex-grande, se seu sofrimento tiver boa memória. Aí, coitado do novo pequeno, vai se arrepender de cada não beijo, cada não telefonema, cada não noite de insônia, cada não desespero, cada não entusiasmo, cada não carinho inesperado, indispensável, inevitável, imprescindível, cada não todas as palavras apaixonadas em qualquer língua do mundo. Ele vai se surpreender com a reviravolta no começo, mas vai se conformar com sua nova condição de pequeno em seguida. E então vai seguir, cuidadoso e desastrado, na quase inútil intenção de conquistar o grande urgentemente.

Adriana Falcão